GESTÃO DA DOENÇA RENAL CRÓNICA EM UTENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 2 NUMA UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR
DOI:
https://doi.org/10.58043/rphrc.199Palavras-chave:
Chronic Kidney Disease, Diabetes Mellitus, Type 2, Primary Health Care, Cardiovascular Diseases, Glomerular Filtration RateResumo
Introdução: A Doença Renal Crónica (DRC) é uma complicação frequente da Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), associada a um aumento significativo do risco cardiovascular, em particular da morbilidade e da mortalidade, mas também um impacto socioeconómico. A prevenção, o diagnóstico precoce e a instituição atempada de terapêutica adequada são fundamentais para atrasar a progressão da doença e reduzir a ocorrência de eventos cardiovasculares.
Objetivo: Avaliar a gestão clínica da DRC em doentes com DM2 seguidos numa Unidade de Saúde Familiar (USF), com particular enfoque na codificação diagnóstica, no controlo clínico e na otimização da terapêutica com benefício cardiorrenal.
Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo e transversal, com base na análise dos registos clínicos de doentes com DM2 e DRC seguidos na USF da Luz. Foram recolhidas variáveis sociodemográficas e clínicas. Avaliou-se também a prescrição de fármacos com impacto cardiorrenal — inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA II), inibidores SGLT2 e antagonistas do receptor mineralocorticoide (finerenona) — assim como as alterações terapêuticas após a codificação da DRC.
Resultados: A prevalência de DRC encontrada neste estudo entre os doentes com DM2 foi de 39,4%. Apenas 27,1% dos doentes com DRC apresentavam o diagnóstico formalmente codificado. Os doentes com DRC codificada eram mais velhos (idade média de 81,8 vs. 79,1 anos), apresentavam valores mais elevados de creatinina (1,41 vs. 1,03 mg/dL) e valores mais baixos de taxa de filtração glomerular estimada (42,1 vs. 56,1 mL/min), refletindo estádios mais avançados da doença renal. Observou-se ainda uma maior prescrição de IECA/ARA II em doses máximas e de inibidores SGLT2 nestes doentes.
Conclusão: A codificação da DRC associou-se a uma melhor adequação da terapêutica e poderá contribuir para a redução do risco cardiorrenal. Estes resultados reforçam a importância do registo formal da DRC e de uma abordagem integrada em cuidados de saúde primários.
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