HTA EM IDADE PEDIÁTRICA – O PAPEL DO MÉDICO DE FAMÍLIA AO DAR VOZ A UMA DOENÇA SILENCIOSA

Autores

  • Daniela Rocha Médica Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Aquilino Ribeiro, ACeS Douro Sul
  • Maria João Faria Médica Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Aquilino Ribeiro, ACeS Douro Sul, Portugal
  • Rita Regadas Assistente em Medicina Geral e Familiar, USF Aquilino Ribeiro, ACeS Douro Sul, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.58043/rphrc.52

Palavras-chave:

Hipertensão arterial, Hipertensão secundária, Pediatria, Doença Renal Parenquimatosa

Resumo

A avaliação da Pressão Arterial (PA) nas consultas de vigilância dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) resulta do reconhecimento da importância crescente da Hipertensão arterial (HTA) na idade pediátrica. Define-se HTA quando a PA sistólica e/ou diastólica encontram-se acima do percentil (P) 95. A HTA secundária é mais frequente na criança pré-adolescente e a principal etiologia são causas renais. Por haver uma causa tratável de HTA, é importante o diagnóstico atempado e a precocidade do tratamento. Apresenta-se o caso de uma pré-adolescente de 12 anos, assintomática, que, na consulta de vigilância, apresentou valores tensionais de 120/70 mm Hg (PA sistólica e diastólica > 5 mm Hg do P99). Dos antecedentes pessoais, realçar episódios de infeções do trato urinário febris nos primeiros 3 anos de vida; dos antecedentes familiares: obesidade, HTA e litíase renal. Exame físico: destaca-se o valor elevado de PA, que se manteve posteriormente em ambulatório. A ecografia renal revelou assimetria, com rim direito (RD) de dimensões globosas e rim esquerdo (RE) de menores dimensões, contornos irregulares e irregularidades da estrutura cortical (sequelas de processos inflamatórios). Referenciou-se à consulta de Nefrologia Pediátrica, onde complementou a investigação. O cintigrama renal mostrou RE de dimensões reduzidas e com marcada hipofunção (12,63%), RD de dimensões aumentadas (87,37%) e lesões cicatriciais bilaterais; a cistouretrografia miccional seriada revelou refluxo vesicouretral grau IV bilateral, que foi corrigido por via endoscópica. Iniciou terapêutica com ramipril, com dificuldade no controlo tensional confirmado com MAPA. Atualmente, mantém seguimento pela Nefrologia Pediátrica, medicada com ramipril 5 mg 2 vezes ao dia, colecalciferol e ferro oral. Por resistência ao tratamento, pondera-se nefrectomia. A doença renal parenquimatosa é causa frequente de HTA na criança, cujo prognóstico depende da precocidade do tratamento. O caso descrito alerta para a importância da avaliação sistemática da PA na consulta de saúde infantil, sempre que identificada, deve ser devidamente investigada e tratada.

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Referências

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Publicado

2023-02-01

Como Citar

1.
Rocha D, Faria MJ, Regadas R. HTA EM IDADE PEDIÁTRICA – O PAPEL DO MÉDICO DE FAMÍLIA AO DAR VOZ A UMA DOENÇA SILENCIOSA. RH [Internet]. 1 de Fevereiro de 2023 [citado 2 de Março de 2024];(93):38-42. Disponível em: https://revistahipertensao.pt/index.php/rh/article/view/52

Edição

Secção

Caso Clínico