CRISE RENAL ESCLERODÉRMICA, UMA MANIFESTAÇÃO ATÍPICA DE HIPERTENSÃO MALIGNA: A CASE REPORT

Autores

  • André Matos Gonçalves Interno(a) de Formação Específica de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Rita Serejo Portugal Interno(a) de Formação Específica de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Maria Helena F. Silva Interno(a) de Formação Específica de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Volodymyr Nagirnyak Interno(a) de Formação Específica de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Ana Rita Sanches Assistente Hospitalar de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Sónia Cunha Martins Assistente Hospitalar de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
  • Margarida Sousa Carvalho Assistente Graduada de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Torres Novas, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.58043/rphrc.117

Palavras-chave:

hipertensão, hipertensão maligna, esclerose sistémica, crise renal esclerodérmica

Resumo

Introdução: A hipertensão maligna (HM) é a forma mais grave de hipertensão, constituindo uma emergência hipertensiva, entidade clínica com elevado risco cardiovascular e um elevado risco de desenvolver doença renal terminal. A HM pode acompanhar-se de complicações, sendo as mais características as lesões microangiopáticas e a disfunção renal, sendo fundamental realizar uma avaliação apropriada das causas identificáveis de hipertensão de modo a instituir de forma rápida a terapêutica mais apropriada. Descrição do caso: Mulher de 49 anos, com diagnóstico recente de esclerose sistémica, sem outros antecedentes prévios, trazida ao serviço de urgência por queixas de cansaço, astenia e anorexia com vários dias de evolução. À admissão apresentava emergência hipertensiva associada a lesão renal aguda grave, oligoanúrica, com encefalopatia multifatorial (urémica e hipertensiva). Associadamente apresentava proteinúria com hematúria e hemólise microangiopática com anemia hemolítica autoimune, pelo que se estabeleceu o diagnóstico Crise Renal Esclerodérmica (CRE). Neste contexto, iniciou técnica de substituição da função renal, inicialmente contínua, posteriormente de forma intermitente, sem que no entanto tenha recuperado a função renal. De modo a controlar de forma eficaz a hipertensão maligna necessitou de terapêutica anti-hipertensora endovenosa, que foi descontinuada após controlo eficaz do perfil tensional para terapêutica oral, necessitando para tal de 3 classes de anti-hipertensores (captopril, nifedipina e clonidina). Para o tratamento da doença de base, manteve IECA na dose máxima, associado a terapêutica imunossupressora com corticoterapia, micofenolato de mofetilo e bosentano. Para além do atingimento renal e hematológico, a doente apresentou também atingimento pulmonar com fibrose pulmonar e atingimento cardíaco com hipertensão pulmonar a condicionar insuficiência cardíaca descompensada. Após controlo do perfil tensional e compensação da esclerose sistémica, a doente teve alta mantendo programa regular de hemodiálise. Discussão/Conclusão: Apresenta-se este caso como exemplo de manifestação inaugural atípica de hipertensão arterial maligna, com evolução bastante insidiosa, a condicionar múltiplas comorbilidades. Trata-se de um exemplo que comprova que a taxa de sobrevivência destes doentes melhorou consideravelmente com a deteção precoce, o controlo eficaz do perfil tensional e a disponibilidade de hemodiálise e mesmo do transplante renal.

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Referências

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Publicado

2024-01-28

Como Citar

1.
Matos Gonçalves A, Serejo Portugal R, F. Silva MH, Nagirnyak V, Sanches AR, Cunha Martins S, Sousa Carvalho M. CRISE RENAL ESCLERODÉRMICA, UMA MANIFESTAÇÃO ATÍPICA DE HIPERTENSÃO MALIGNA: A CASE REPORT. RH [Internet]. 28 de Janeiro de 2024 [citado 2 de Março de 2024];(99):40-3. Disponível em: https://revistahipertensao.pt/index.php/rh/article/view/117

Edição

Secção

Caso Clínico